NOVO PROJETO PARA O MELHORAMENTO DA TOLERÂNCIA SALINA EM PLANTAS DE TOMATES

O Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) apoia projeto de pesquisa teuto-beraisleiro com ca. de 1,1  unterstützt deutsch-brasilianisches Forschungsvorhaben mit rund 1,1 Millionen Euro

Plantas de tomate necessitam  de muita água para seu desenvolvimento. Por isso precisam ser irrigadas com frequência. Como consequência, no entanto, os sais dissolvidos nessa água atingem o solo e tomates reagem de modo muito sensível a isso. Especialmente em regiões secas de cultivo, a salinidade do solo leva a grandes perdas de área e rendimento. Para fazer frente a esse problema , pesquisadores e lavradores depositam suas esperanças na criação de plantas com maior tolerância salina. Com esse enfoque, pesquisadores da Universidade de Münster (Westfälischen Wilhelms-Universität Münster, WWU) iniciaram um projeto de pesquisa teuto-brasileiro para, utilizando dois métodos distintos de abordagem, compreender melhor os mecanismos da tolerância salina em plantas detomate e gerar espécies de tomate com uma melhor resitência a concentrações mais elevadas de sal no solo.

© Lázaro Peres/USP

O projeto será desenvolvido por uma equipe do Prof. Dr. Jörg Kudla, do Instituto de Biologia e Biotecnologia de Plantas da WWU, em cooperação com o pesquisador da Universidade de São Paulo, Dr. Lázaro Eustáquio Pereira Peres. O Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha apoairá o projeto com cerca 1,1 milhão de Euros, por um período de três anos. O projeto denomina-se “ESTASA (Enhancing Salt Tolerance in tomato crops for Advancing Sustainable Agriculture and food production)”, em português: “Melhoramento da tolerância salina em tomates para agricultura sutentável e produção de alimentos”.

Os pesquisadores usam uma espécie de tomate encontrada na natureza, com elevada tolerância salina e com frutos pequenos, porém comestíveis. Essa planta selvagem deverá ser então “domésticada” por meio de um novo processo de melhoramento passando por diversas gerações, nas quais o tomate selvagem é cruzado com espécies utilizadas na agricultura especificamente selecionadas. Variantes genéticas especiais, responsáveis por gerar frutos grandes, aromáticos e em grande quantidade, serão assim sucessivamente transferidas para a espécie selvagem. “Nós reproduzimos, com o conhecimento atual e com foco na tolerância salina, em curto período de tempo um processo de cultivo como a humanidade o faz há centenas de anos”, explica o coordenador do projeto Jörg Kudla. “No final do período de financiamento, esperamos ter uma espécie tolerante ao sal com frutos aromáticos do tamanho do tomate cereja.”

Ao mesmo tempo os pesquisadores querem investigar e compreender os mecanismos moleculares de proteção contra elevadas concentrações de sal em plantas de tomates. Além disso, pretendem tornar aproveitáveis as variantes genéticas responsáveis pela tolerância salina para uso no melhoramento específico de linhas de tomate mais tolerantes ao sal. Para isso aplicam modernos metódos biotecnologicos de “edição de genoma”.